Postagens

Mostrando postagens de março, 2026

Punta del Leste

Crônica de Viagem – Montevidéu e Punta del Este Na véspera da despedida de Montevidéu, decidimos embarcar na segunda grande jornada da viagem: conhecer Punta del Este em apenas um dia. A regra era simples — sair cedo do hotel na van da operadora local e aproveitar cada parada pelo caminho. Seriam 130 km de estrada impecável até o balneário mais famoso da América do Sul, com direito a belas surpresas no trajeto. Logo na primeira meia hora, chegamos a Maldonado. Uma igrejinha charmosa no alto do morro nos rendeu fotos memoráveis, e o vilarejo, com seu cassino e movimento constante, nos convidou a uma caminhada breve, mas revigorante — perfeita para espantar o sono acumulado da noite anterior em um bistrô de Montevidéu. Seguimos viagem e, poucos quilômetros depois, fomos presenteados com uma vista deslumbrante do Atlântico em Punta Ballena. Ali conhecemos a icônica Casa Pueblo, obra-prima de Carlos Páez Vilaró. O lugar, hoje museu, é um mergulho na arte e na história, e já nos deixava na ...

A bronca da gaúcha

A lição na faixa de pedestre Diário de Viagem – Porto Alegre Dia 2 – A lição na faixa de pedestre   Hoje vivi algo curioso. Vim a Porto Alegre a convite de Célio Silva, para assistir à final do Campeonato Gaúcho. O Beira-Rio pulsava no Gre-Nal, e vi o Internacional levantar o título. Enquanto Célio se dedicava ao jogo, sua esposa Lídia me levou para conhecer a cidade.   Em um dos passeios, ela me ofereceu o volante. Aceitei, como se estivesse em Miracema ou Campos. Mas numa transversal, sem semáforo, cometi o erro: não parei na faixa de pedestre. A senhora que atravessava se assustou, e Lídia pediu que eu parasse para pedir desculpas.   A mulher aceitou, mas não sem antes me dar uma bronca daquelas. Fiquei sem graça, mas guardei a lição. Desde então, nunca mais deixei de respeitar a faixa — mesmo correndo o risco de levar uma batida por parar de repente.   Porto Alegre me deu futebol, amizade e turismo. Mas também me deu uma advertência inesquec...

Um tombo e um susto

  O mico na Ponte dos Ingleses Diário de Viagem – Rio Grande do Norte e Ceará Virada do século – 50 anos celebrados   Comemorei meio século de vida em grande estilo: um tour pelo Rio Grande do Norte e Ceará. Entre os lagos de Natal, o maior cajueiro do mundo em Pirangi, o Beach Park em Fortaleza e o Theatro José de Alencar, parecia roteiro de revista de turismo. Ainda houve o Castelinho em Natal, onde reencontramos Micaela Jacinto, nossa conterrânea olímpica, campeã pelas quadras do mundo. O “mico” da Ponte dos Ingleses   Mas toda viagem precisa de um tempero inesperado. O meu veio em Fortaleza, na Ponte dos Ingleses. Filmadora Panasonic em mãos, distraído com a paisagem e com os turistas asiáticos, não percebi a rampa. Pimba! Despenquei e me esborrachei no chão. Na tentativa de salvar a máquina, apertei-a contra o peito — doeu, mas só na hora. Levantei rápido, mais envergonhado do que machucado. E foi aí que veio o inesperado: aplausos. A turma dos “olhinhos p...

Um piriri em Toledo

O almoço cabo-verdiano e o trono de Toledo Diário de Viagem – Madrid e Toledo Maio de 2005 – Entre museus e panfletos   Passear pelos museus Reina Sofía e Prado já era suficiente para encher a alma. Mas foi na rua que veio a surpresa: um brasileiro distribuindo panfletos de restaurante, vestindo a camisa lendária do Tabajara FC, da turma do Casseta & Planeta. A conversa foi inevitável. Ele até quis trocar pela minha do Flamengo, presente de Célio Silva. Neguei, mas aceitei a oferta: se fôssemos os quatro ao restaurante, ele ganharia o almoço. O Cabo Verdiano   E lá fomos nós. Especiarias familiares, feijão bem temperado, miúdos de porco — minha perdição. A fome era tanta que me esbaldei. Só que a conta veio no dia seguinte, dentro do trem rumo a Toledo. O “trono” de Toledo   A cidade medieval, com seus labirintos e muralhas, parecia zombar da minha busca desesperada por banheiros. O “trono” virou meu companheiro por quase uma hora. No fim, tudo deu ce...

Pastel de Belém

Diário de Viagem – Lisboa e Miracema Entre vitrines e lembranças   Lisboa me recebeu com o pastel de nata, símbolo de tradição e elegância. Uma iguaria que atrai turistas do mundo inteiro, consolidada como grife da cidade. Degustar aquele doce era como provar um pedaço da história portuguesa. O sabor da família   Mas há sabores que não precisam de fama para serem eternos. O pastel do Vicente, feito pelas mãos da vovó e da mamãe, trazia mais que recheio: trazia amor, cuidado e a qualidade que só a cozinha da família pode oferecer.   A lição do paladar   Entre o doce da viagem e o salgado da memória, ficou a certeza de que o verdadeiro sabor não está apenas na vitrine das confeitarias renomadas, mas na simplicidade das mãos que cozinham com afeto. Lisboa me deu o pastel da grife; Miracema me deu o pastel da vida.