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Declamando Fernando no Sena

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Navegando ao entardecer pelo Rio Sena, no tradicional Bateaux Mouches , fui presenteado por uma cena que parecia saída de um filme: o surgir de uma lua cheia iluminando as águas de Rio Sena . Naquele instante, minha memória tratou de viajar ainda mais longe. Vieram à mente versos do poeta Fernando Nascimento , as páginas dos antigos livros de geografia e, principalmente, minha grande mesa de inspiração: minha mãe, Lili, apaixonada pelo Sena e pela Torre Eiffel , embora os tivesse conhecido apenas pelos livros e pelos filmes. Sem pensar duas vezes, declamei em voz alta, com a emoção de quem fala para si e para o mundo: "Quando a lua desce aqui no rio, sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a lua nasce em cor de prata, eu relembro Miracema em serenata." Turistas de várias nacionalidades voltaram seus olhares para mim. Alguns riram, talvez sem entender uma única palavra. Outros aplaudiram espontaneamente. Houve ainda aqueles que falavam português e, logo depois, vieram...

O livro de viagens

 Capítulo 1 — Miracema, onde tudo começou Capítulo 2 — O Brasil antes do mundo Capítulo 3 — Primeiros passos na Europa Capítulo 4 — Cervejas, trens e histórias improváveis Capítulo 5 — Lugares que me fizeram chorar Capítulo 6 — Eu, Marina e a estrada Esse material

Porre em Bruxelas

  Claro que muitos passeios e histórias poderiam ser contados sobre este país e sobre essas duas cidades belgas, mas confesso que lembrar da nossa estada por lá marcada por um memorável pileque de cerveja é bem mais divertido. Experimentei praticamente todas as marcas que encontrei pela frente e, mesmo sabendo que o teor alcoólico das cervejas belgas era o dobro — ou, em alguns casos, quase o triplo — das nossas, fui saboreando uma a uma. Quando subi para o quarto, ouvi a ordem em tom firme: “Nem se atreva a entrar no banho. Deite assim mesmo e evite um acidente na banheira.” Era Marina, precavida como sempre, cuidando de mim e percebendo que o estado do marido, naquela noite, estava longe do normal. Obedeci. Dormi até o dia seguinte, quando finalmente encarei a banheira e, além de curar o porre, tratei também de colocar em dia a higiene que havia ficado para trás na noite anterior.

Pub italiano

  Foi em uma destas casa da Gran Via, no já distante 2005, que vivi o primeiro bom "causo de viagem" que começo a narrar por aqui, e, podem ter certeza, foi um momento maravilhoso e daqueles que eu digo aqui, falei acima, o motivo real das minhas andanças, que é conhecer novas culturas e novas pessoas.  Em um pub, estilo anglo/italiano, (foto) na Gran Via, entramos eu, Marina e nossos quatro companheiros de viagem, e o napolitano, dono do estabelecimento, me chamou no canto, descobrindo que eu era o líder do grupo, e me disse que fecharia às onze horas e não poderia esperar sequer um minuto a mais. Segundo ele eram ordens e estas medidas estavam pregadas na porta.  Me apresentei dizendo que era jornalista brasileiro, com descendência italiana e que o futebol era meu carro chefe. - Sou amigo de Careca e Alemão, estive com amigos na semana passada, em Campinas, e até o Maradona estava por lá, dizia eu para o italiano esperando que isto o amolecesse e ele nos deixasse beber ...

Bateax Mouche

  Decepção no Bateaux Mouche Naquele fim de setembro de 2008, eu achava que nada poderia tirar o brilho da nossa despedida de France . Estávamos a bordo do Bateaux-Mouches , navegando pelas águas do Seine , em um daqueles cenários que parecem feitos para cinema. A cidade iluminada, o clima perfeito, a despedida ideal de Paris . Mas foi ali que uma turista asiática conseguiu algo raro: Me fez perder o rebolado. Nós, brasileiros, acostumados a investir uma pequena fortuna em equipamentos fotográficos de última geração, já nos sentíamos bem servidos com nossas câmeras. Eu, com minha fiel Canon a tiracolo, estava feliz da vida, registrando cada detalhe da viagem. Até que ela apareceu. A moça trazia um equipamento que, para 2008, parecia coisa do futuro. Uma câmera moderna, tripé compacto e... um controle remoto. No começo, achei que estava vendo errado. Mas não. De longe, com toda tranquilidade do mundo, ela posicionava a câmera, se afastava alguns metros, apontava discret...

Pastel de Belém

  Pastel que não era o da Vovó Maria Muita gente que visita Lisboa  costuma voltar falando da Torre  Belém , o Mosteiro dos Jerônimos, onde está o túmulo de Vasco da Gama . Mas a minha história daquele dia não tem nada a ver com monumentos. Minha batalha em Belém tinha outro objetivo. O famoso Pastel de Belém . Para saborear aquela iguaria, fiquei mais de uma hora em uma fila que parecia não ter fim. Quilométrica. E, enquanto eu avançava centímetro por centímetro, a fome só aumentava. Marina, mais esperta que eu, preferiu me esperar na sombra, visitando outras atrações da região. Em um momento, voltou, me olhou e soltou: — Você vai se frustrar. Não é nada do que está pensando. Ignorei. Na minha cabeça, “pastel” era pastel. Se fosse de bacalhau, melhor ainda. Se tivesse carne, camarão ou até queijo, já resolveria meu problema. A fila andava até mais rápido do que eu imaginava, mas, já próximo da entrada, comecei a estranhar algumas coisas. Não ouvia aquele baru...

Veneza

  Volare cá e pagode lá Chegamos ao hotel, em Mestre , onde ficaríamos hospedados depois de um dos passeios mais aguardados da viagem: conhecer a inesquecível Venice . Antes disso, cruzamos o Adriatic Sea e atracamos próximos à St. Mark's Basilica e à famosa Piazza San Marco . E preciso confessar: chamar aquele lugar de bonito seria injusto. Aquilo é maravilhoso. Encantador. Tudo parece pulsar ao mesmo tempo. Músicos de rua, mágicos, pombos disputando espaço com turistas, gente bonita, gente alegre, idiomas cruzando o ar, culturas se encontrando em cada esquina. Veneza não se visita. Veneza se sente. E então veio o momento mais especial. O passeio de gôndola pelo Grande Canal. Éramos apenas nós dois — eu e Marina —, um casal de músicos, com acordeom e violino, e o gondoleiro, conduzindo a embarcação com sua tradicional camisa listrada. Enquanto a gôndola deslizava suavemente pelos canais venezianos, os músicos perceberam nossas conversas, nossos olhares, talvez até nossa emoção. ...