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Fotos & Legendas - Paris 2011

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  Paris 2011  Um conterrâneo, campista,chega à mesa e me diz: - Você é Adilson Dutra? Baixei o jornal e, espantado, respondi. Sim, se me conhece vamos beber uma taça de vinho juntos.  O moço sentou, se apresentou com educação e disse: - Te vi duas vezes, ontem e hoje, entrando no hotel, e fui à casa confirmar no computador se era mesmo o colunista do Diário, de Campos, para eu chegar. Registro de foto eu fico devendo,mas o momento está registrado no livro que cheará em breve. Aqui apenas o registro de minha leitura fake do jornal francês, Le Figagro. 

Causos = o Campista em Paris

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Paris, maio de 2005   Sentado no hotel, cappuccino à mão, vinho da casa na taça, fingia ler o Le Figaro enquanto meus olhos se perdiam nas imagens de um jogo da Champions League. Foi então que percebi um homem bem vestido, andando de um lado para outro, olhando fixamente para mim. Parecia inglês, talvez me confundisse com alguém.   Resolvi dar espaço. Pedi uma jarra pequena do mesmo vinho, como quem abre caminho para uma aproximação. E ela veio.   O encontro inesperado   Ele chegou, tomou coragem e perguntou em bom português:   — Eu te conheço de onde?   Ofereci o vinho, ele aceitou, e respondi:   — Sou Adilson Dutra, de Miracema, moro em Campos, interior do Rio de Janeiro.   O homem sorriu:   — Estava certo. Mostrei sua foto à minha esposa, leio sempre sua coluna em O Diário. Sou de Vitória, moro em Campos há muitos anos e sou dono da franquia da Loja Taco.   Novos companheiros de viagem...

Causos - Sósia turco

   A manhã em Capadócia não costumava ter aquele tom de surrealismo antes de tomarmos o café. O ar estava rarefeito, gelado, impregnado com o cheiro de chá forte e massa folhada, e o sol mal começava a dourar os contornos das rochas. Mas ali, sob o teto da base dos balões, o tecido da realidade começou a sofrer um rasgo silencioso, quase imperceptível. O navegador aproximou-se com o passo firme de quem domina os céus. Quando ele sorriu para pedir a foto, notei que seus olhos — de um azul profundo, como o céu no auge do voo — não viam apenas um turista brasileiro cansado. Eles viam uma miragem. Eles viam um ídolo que deveria estar na tela de uma sala de projeção em Istambul, e não ali, segurando uma xícara de porcelana com o café fumegante. Após o clique, o segredo se espalhou como fumaça de incêndio. A conversa em turco, cadenciada e cheia de autoridade, saltou de boca em boca. Eu observava, através dos reflexos nas janelas de vidro, que a equipe inteira me observava com a def...

Pagode em Veneza Causos

   O ar de Veneza tinha uma densidade diferente, como se a cidade estivesse suspensa entre a água e o sonho, presa num sortilégio que mantinha o tempo em uma estranha letargia. Quando Marina e eu subimos na gôndola, a superfície do canal não era apenas água; parecia uma chapa de mercúrio escuro, refletindo os palácios como se estes tentassem alcançar sua própria alma nas profundezas. O gondoleiro, um homem cuja pele era um mapa de séculos de história veneziana, movia o remo com uma precisão que beirava a bruxaria. Não havia ruído. Apenas o deslizar silencioso, cortando o véu entre a realidade e o maravilhoso. Atrás de nós, os músicos – um sanfoneiro e um violinista – pareciam saídos de um quadro do século XVIII, cujas figuras haviam escapado da moldura para dar vida aos nossos desejos. Enquanto Volare ecoava pelos muros de pedra, os acordes não viajavam apenas pelo ar. Eles se enroscavam nas nossas peles como uma carícia invisível. Naquela harmonia, senti as memórias de nosso ...

Causos - Pastel de Belém

  Diário de Viagem – Lisboa e Miracema Entre vitrines e lembranças   Lisboa me recebeu com o pastel de nata, símbolo de tradição e elegância. Uma iguaria que atrai turistas do mundo inteiro, consolidada como grife da cidade. Degustar aquele doce era como provar um pedaço da história portuguesa. O sabor da família   Mas há sabores que não precisam de fama para serem eternos. O pastel do Vicente, feito pelas mãos da vovó e da mamãe, trazia mais que recheio: trazia amor, cuidado e a qualidade que só a cozinha da família pode oferecer.   A lição do paladar   Entre o doce da viagem e o salgado da memória, ficou a certeza de que o verdadeiro sabor não está apenas na vitrine das confeitarias renomadas, mas na simplicidade das mãos que cozinham com afeto. Lisboa me deu o pastel da grife; Miracema me deu o pastel da vida.

Causos - Decepção no Sena

   Decepção Tecnológica sob as Luzes do Sena Naquele fim de setembro de 2008, eu acreditava piamente que nada, absolutamente nada, poderia arranhar o brilho da nossa despedida da França. Paris se entregava a nós com aquela aura cinematográfica, o Sena refletindo o âmbar dos postes sob a brisa da noite, e nós, em um Bateaux-Mouche, éramos apenas passageiros em um quadro perfeito. Ou, ao menos, foi o que achei até encontrar aquela turista asiática. Nós, brasileiros, carregamos um orgulho quase mítico com nossos equipamentos fotográficos. Eu, com minha Canon pendurada no pescoço, sentia-me o próprio correspondente internacional em missão oficial. Tinha nas mãos a extensão da minha visão. Foi então que ela surgiu, operando algo que, para os olhos de 2008, não pertencia ao nosso tempo. Ela não fotografava; ela orquestrava um espetáculo de autossuficiência. Montou um tripé compacto com a elegância de quem arma um tripé de laboratório em uma estação espacial. Enquanto eu me contorcia...

Causos - Comida Caboverdiana

  A brisa de Madrid em maio de 2005 trazia um perfume de jasmim misturado ao asfalto aquecido, mas para nós, naquele momento, só importava a fome. O encontro com o "embaixador do Tabajara" na esquina do Prado parecia um presságio de boa sorte. Quem poderia imaginar que aquela camisa listrada de vermelho e preto, autografada pela memória de Célio Silva, atrairia não apenas um conterrâneo, mas uma maldição culinária? O restaurante, cujas portas eram um portal de madeira gasta entre fachadas imponentes de Gran Via, parecia saído de um livro de Jorge Amado — ou de uma fenda no tecido da realidade. O garçom, um homem de pele retinta e olhos que brilhavam com um fulgor âmbar quase sobrenatural, serviu-nos o ensopado cabo-verdiano. O aroma era inebriante. Enquanto eu mastigava os miúdos, que se desmanchavam em uma suculência proibida, senti um formigamento na ponta dos dedos. Era como se, a cada garfada, eu estivesse consumindo não apenas nutrientes, mas fragmentos de um tempo esque...