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Mostrando postagens de agosto, 2026

Fotos & Legendas - Paris 2011

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  Paris 2011  Um conterrâneo, campista,chega à mesa e me diz: - Você é Adilson Dutra? Baixei o jornal e, espantado, respondi. Sim, se me conhece vamos beber uma taça de vinho juntos.  O moço sentou, se apresentou com educação e disse: - Te vi duas vezes, ontem e hoje, entrando no hotel, e fui à casa confirmar no computador se era mesmo o colunista do Diário, de Campos, para eu chegar. Registro de foto eu fico devendo,mas o momento está registrado no livro que cheará em breve. Aqui apenas o registro de minha leitura fake do jornal francês, Le Figagro. 

Causos = o Campista em Paris

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Paris, maio de 2005   Sentado no hotel, cappuccino à mão, vinho da casa na taça, fingia ler o Le Figaro enquanto meus olhos se perdiam nas imagens de um jogo da Champions League. Foi então que percebi um homem bem vestido, andando de um lado para outro, olhando fixamente para mim. Parecia inglês, talvez me confundisse com alguém.   Resolvi dar espaço. Pedi uma jarra pequena do mesmo vinho, como quem abre caminho para uma aproximação. E ela veio.   O encontro inesperado   Ele chegou, tomou coragem e perguntou em bom português:   — Eu te conheço de onde?   Ofereci o vinho, ele aceitou, e respondi:   — Sou Adilson Dutra, de Miracema, moro em Campos, interior do Rio de Janeiro.   O homem sorriu:   — Estava certo. Mostrei sua foto à minha esposa, leio sempre sua coluna em O Diário. Sou de Vitória, moro em Campos há muitos anos e sou dono da franquia da Loja Taco.   Novos companheiros de viagem...

Causos - Sósia turco

   A manhã em Capadócia não costumava ter aquele tom de surrealismo antes de tomarmos o café. O ar estava rarefeito, gelado, impregnado com o cheiro de chá forte e massa folhada, e o sol mal começava a dourar os contornos das rochas. Mas ali, sob o teto da base dos balões, o tecido da realidade começou a sofrer um rasgo silencioso, quase imperceptível. O navegador aproximou-se com o passo firme de quem domina os céus. Quando ele sorriu para pedir a foto, notei que seus olhos — de um azul profundo, como o céu no auge do voo — não viam apenas um turista brasileiro cansado. Eles viam uma miragem. Eles viam um ídolo que deveria estar na tela de uma sala de projeção em Istambul, e não ali, segurando uma xícara de porcelana com o café fumegante. Após o clique, o segredo se espalhou como fumaça de incêndio. A conversa em turco, cadenciada e cheia de autoridade, saltou de boca em boca. Eu observava, através dos reflexos nas janelas de vidro, que a equipe inteira me observava com a def...

Pagode em Veneza Causos

   O ar de Veneza tinha uma densidade diferente, como se a cidade estivesse suspensa entre a água e o sonho, presa num sortilégio que mantinha o tempo em uma estranha letargia. Quando Marina e eu subimos na gôndola, a superfície do canal não era apenas água; parecia uma chapa de mercúrio escuro, refletindo os palácios como se estes tentassem alcançar sua própria alma nas profundezas. O gondoleiro, um homem cuja pele era um mapa de séculos de história veneziana, movia o remo com uma precisão que beirava a bruxaria. Não havia ruído. Apenas o deslizar silencioso, cortando o véu entre a realidade e o maravilhoso. Atrás de nós, os músicos – um sanfoneiro e um violinista – pareciam saídos de um quadro do século XVIII, cujas figuras haviam escapado da moldura para dar vida aos nossos desejos. Enquanto Volare ecoava pelos muros de pedra, os acordes não viajavam apenas pelo ar. Eles se enroscavam nas nossas peles como uma carícia invisível. Naquela harmonia, senti as memórias de nosso ...

Causos - Pastel de Belém

  Diário de Viagem – Lisboa e Miracema Entre vitrines e lembranças   Lisboa me recebeu com o pastel de nata, símbolo de tradição e elegância. Uma iguaria que atrai turistas do mundo inteiro, consolidada como grife da cidade. Degustar aquele doce era como provar um pedaço da história portuguesa. O sabor da família   Mas há sabores que não precisam de fama para serem eternos. O pastel do Vicente, feito pelas mãos da vovó e da mamãe, trazia mais que recheio: trazia amor, cuidado e a qualidade que só a cozinha da família pode oferecer.   A lição do paladar   Entre o doce da viagem e o salgado da memória, ficou a certeza de que o verdadeiro sabor não está apenas na vitrine das confeitarias renomadas, mas na simplicidade das mãos que cozinham com afeto. Lisboa me deu o pastel da grife; Miracema me deu o pastel da vida.

Causos - Decepção no Sena

   Decepção Tecnológica sob as Luzes do Sena Naquele fim de setembro de 2008, eu acreditava piamente que nada, absolutamente nada, poderia arranhar o brilho da nossa despedida da França. Paris se entregava a nós com aquela aura cinematográfica, o Sena refletindo o âmbar dos postes sob a brisa da noite, e nós, em um Bateaux-Mouche, éramos apenas passageiros em um quadro perfeito. Ou, ao menos, foi o que achei até encontrar aquela turista asiática. Nós, brasileiros, carregamos um orgulho quase mítico com nossos equipamentos fotográficos. Eu, com minha Canon pendurada no pescoço, sentia-me o próprio correspondente internacional em missão oficial. Tinha nas mãos a extensão da minha visão. Foi então que ela surgiu, operando algo que, para os olhos de 2008, não pertencia ao nosso tempo. Ela não fotografava; ela orquestrava um espetáculo de autossuficiência. Montou um tripé compacto com a elegância de quem arma um tripé de laboratório em uma estação espacial. Enquanto eu me contorcia...

Causos - Comida Caboverdiana

  A brisa de Madrid em maio de 2005 trazia um perfume de jasmim misturado ao asfalto aquecido, mas para nós, naquele momento, só importava a fome. O encontro com o "embaixador do Tabajara" na esquina do Prado parecia um presságio de boa sorte. Quem poderia imaginar que aquela camisa listrada de vermelho e preto, autografada pela memória de Célio Silva, atrairia não apenas um conterrâneo, mas uma maldição culinária? O restaurante, cujas portas eram um portal de madeira gasta entre fachadas imponentes de Gran Via, parecia saído de um livro de Jorge Amado — ou de uma fenda no tecido da realidade. O garçom, um homem de pele retinta e olhos que brilhavam com um fulgor âmbar quase sobrenatural, serviu-nos o ensopado cabo-verdiano. O aroma era inebriante. Enquanto eu mastigava os miúdos, que se desmanchavam em uma suculência proibida, senti um formigamento na ponta dos dedos. Era como se, a cada garfada, eu estivesse consumindo não apenas nutrientes, mas fragmentos de um tempo esque...

Notre Dama - Antes e depois

  Notre-Dame renascendo Chegamos à Île de la Cité e lá estava ela. A mesma Notre-Dame que havíamos visto em 2019, poucos dias antes do incêndio que comoveu o mundo, estava novamente diante de nós. As grandes obras de recuperação já caminhavam para a fase final e, naquele momento, anunciava-se inclusive uma missa para o dia seguinte. Não conseguimos entrar, mas isso pouco importou. Ficamos no entorno, como centenas de turistas franceses e estrangeiros, admirando o resultado de um extraordinário trabalho de reconstrução. Havia até uma contagem regressiva para a reabertura definitiva da catedral. Para mim, aquela visão tinha um significado especial. Eu havia conhecido Notre-Dame inteira, voltava agora para vê-la renascendo e, desta vez, tinha Luna ao meu lado. Acho melhor assim porque não afirmamos simplesmente que “estava fechada” . Registramos o que você presenciou: obra praticamente concluída, expectativa de missa e a reabertura se aproximando. E mantenho aquela frase final d...

Capítulo 33 - França e Inglaterra 2024

  PARIS 2024 — A cidade que conhecíamos pelos olhos de Luna Em outubro de 2024, voltamos a Paris, desta vez levando a neta Luna para seu primeiro giro europeu. Foram três dias intensos, com uma programação que incluía praticamente todos os pontos importantes da Cidade Luz. No domingo, depois do check-in no Ibis, fizemos um passeio rápido pela Champs-Élysées , demos aquela olhada obrigatória no Arco do Triunfo , almoçamos na elegante região da Avenue George V — com uma comida, diga-se de passagem, não tão elegante assim — e retornamos ao hotel. Afinal, quase doze horas de voo também merecem algum respeito. Uma promessa chamada Torre Eiffel O segundo dia começou com uma missão especial: cumprir a promessa que eu havia feito a Luna de levá-la a Paris para ver, bem de pertinho, a Torre Eiffel. E promessa feita a neta não se discute. Cumpre-se. Foi um dia de muita emoção para nós três: eu, Marina e Luna. Mas Paris, felizmente, não vive apenas de sua torre. Nosso City Tour foi longo e, a...

Capítulo 31 Marrocos

  MARROCOS 2022 A África nos abriu as portas Depois da pandemia, voltamos aos poucos à estrada. Viajamos pelo Brasil, conhecemos Salvador, revisitamos Petrópolis e o Rio de Janeiro, onde, finalmente, subi ao Cristo Redentor e andei pela primeira vez no tradicional Bondinho do Pão de Açúcar. Era uma espécie de reencontro com o prazer de viajar. Também mudamos nosso operador de turismo e retomamos as viagens internacionais com a Ralph Dutra Turismo e Viagens. Foi quando surgiu a proposta de um programa diferente. Ralph perguntou: — Vocês já foram à África? Não. E bastou aquela pergunta. Começamos a montar o roteiro para novembro de 2022. Como ele também sabia de nosso desejo de voltar a Fátima para agradecer à Virgem, incluiu Espanha e Portugal no programa. Assim nasceu uma viagem que começaria na África e terminaria em Portugal. Partimos no dia 15 de novembro de 2022 . Marrakech — nosso primeiro chão africano A primeira escala foi no Aeroporto Internacional de Lisboa. D...

Capítulo 30 - Turquia

  Entre dois continentes, uma viagem de emoções Chegamos à Turquia sabendo que seria uma viagem diferente. O país tem uma característica que, por si só, já desperta a curiosidade de qualquer viajante: está entre dois continentes e carrega, em suas cidades, marcas de civilizações que ajudaram a escrever a História. Começamos por Istambul . Logo cedo saímos para o tradicional passeio panorâmico e tivemos nosso primeiro contato com Caio, nosso guia turco, que havia morado muitos anos no Brasil e falava português fluentemente. Istambul foi, durante séculos, capital de grandes impérios. Chamou-se Constantinopla, esteve no centro dos impérios Romano, Bizantino e Otomano e guarda essa história em suas ruas, igrejas, palácios e mesquitas. Conhecemos o Palácio Topkapi , antigo centro do poder otomano, e mergulhamos no Mercado das Especiarias, onde até o aroma parece fazer parte do passeio. Mas faltava o Bósforo. Navegando entre Europa e Ásia Fizemos um cruzeiro pelo estreito que sep...

Capítulo 29 - Itália parte 2

  ITÁLIA ALÉM DE ROMA Cada estrada, um cartão-postal Nosso roteiro não ficou restrito a Roma. Muito pelo contrário. A Itália abre as portas e quase obriga o viajante a conhecer um pouco mais de suas diferentes regiões. Já havíamos experimentado isso em 2008, quando passamos pela Toscana e conhecemos Pisa e Florença. Desta vez, em março de 2018, o primo Miguel seria novamente nosso guia em alguns passeios inesquecíveis. Nos dois últimos dias de nossa passagem pela Itália, ele nos levou até Assis , uma das cidades mais visitadas do país. Fomos conhecer de perto a magnífica Basílica de São Francisco, cuja construção começou no século XIII, e também a Basílica de Santa Clara, companheira de fé de Francisco e figura fundamental da história religiosa daquela região. Assis tem algo diferente. Talvez seja a religiosidade, talvez o silêncio de suas ruas antigas ou simplesmente aquela sensação de caminhar por um lugar onde séculos de história continuam presentes. Mas, antes de Assis, M...

Capitulo 28 - Itália parte 1

  ITÁLIA 2018 — UMA VIAGEM QUE NASCEU NUMA VITRINE Passeava pelo BH Shopping, em Belo Horizonte, como sempre fazia quando visitava minha filha e sua família, em Vila da Serra, Nova Lima, quando uma vitrine da TAM chamou minha atenção: Dez dias na Itália, aéreo e terrestre, por um preço daqueles de pegar ou largar. Entrei. Conversei com a atendente, muito atenciosa, conheci as condições de pagamento, hotéis, datas e os passeios que poderiam ser incluídos. Gostei de tudo e pedi cinco minutos para pensar. E o que fiz nesses cinco minutos? Liguei para Marina: — Fechei um pacote para Roma. Dez dias e por um preço muito bom. Ela concordou. Faltava apenas uma boa companhia para a aventura. Peguei novamente o celular e liguei para Gervásio Magno, sogro de minha filha Gisele e, principalmente, grande amigo e também apaixonado por viagens. Sinal verde de Gervásio e Helena. Voltei à TAM e sacramentei os dois contratos. Era novembro de 2017 e ainda tínhamos outra viagem programada. Por isso, e...

Capítulo 27 - Uruguai 2016

  Dos seis dias programados para o Uruguai, dois foram reservados para o que eu chamo de respiro da viagem: os bate e volta. O primeiro foi Colônia del Sacramento. Para quem conhece Paraty, no Sul Fluminense, fica fácil explicar Colônia. É só fechar os olhos. Ao chegar e abrir abruptamente, você jura que está na Costa Verde. As mesmas pedras nas ruas, as mesmas janelas baixas, o mesmo cais que parece guardar segredos. E guarda. Foi por ali, por aquele Rio da Prata, que parte do nosso ouro, vindo de Minas Gerais, desembarcava em Paraty e seguia para a Europa — de forma legal ou ilegal, dependendo de quem o embarcava e de quem contava a história. Colônia é linda como Paraty. Tem as mesmas histórias atravessadas. E tudo que vimos por lá foi de encher os olhos. Rendou belas fotos e um almoço que entrou para a lista dos melhores da nossa vida de viajantes: uma cantina italiana escondida, com uma massa perfeita, música brasileira de altíssimo nível ao fundo e um atendimento grau dez. Sac...

Este é o capítulo 2

 A Europa sonhada - Desde que chegamos de Madrid, onde estivemos em 2005 para receber o Prêmio de La Liga, oferecido ao melhor texto brasileiro sobre o Campeoanto Espanhol, da SKY/Espn, me passava pela cabeça em fazer uma longa viagem pelo continente europeu. A oportunidade chegou em 2008, com as nossas aposentadorias confirmadas e algumas economias guardadas, iniciamos a mentalização do roteiro, por onde passaríamos e qualo país a ser visitado.  Sentamos com o Rildo Júnior, então na Esperança Turismo, em Campos, e explicamos o que desejaríamos e se poderíamos fazer esta viagem. O rapaz, em início de carreira, teve paciência em nos ouvir e explicamos que não poderiam faltar três destinos, que eram os favoritos de minha mãe, ou seja, Santuário de Fátima, Paris e Vaticano. Dito isto saímos e deixamos por conta da nova amizade que ali surgia e que durante anos organizou nossas viagens pelo Brasil e pelo mundo.  Com tudo pronto, e pago que é o mais importânte, saímos do Gale...