Morumbi e Engenhão

 Hoje é dia de puxar pela memória — e, convenhamos, ela ainda funciona melhor que muito arquivo perdido por aí. Tempo de rádio, lá na terrinha, quando a gente fazia milagre para arrancar uma novidade e entregar para a turma do esporte. Foi num desses jogos das Eliminatórias, no Morumbi, que a Princesinha resolveu atravessar fronteiras.

Brasil x Bolívia. E lá estava este repórter, fuçando, cutucando, atrás de Telê Santana — que, diga-se, fugia de microfone como zagueiro de bola nas costas. No caminho, trombo com Mozer, velho conhecido de Miracema. Dois minutos de conversa, aquele jeitinho básico… e pronto: a porta que não abria, escancarou.

Telê tentou escapar, claro. Mas bastou saber que Miracema era menor que sua Itabirito para o coração amolecer. Resultado? Meia hora de conversa, no balcão do Hotel Brasilton, exclusiva, daquelas que hoje renderiam clique, replay, podcast, documentário e até briga por direitos. Na época? Ficou na lembrança. Porque este país adora um discurso sobre história… mas detesta guardar a própria.

Corta para outro capítulo: Engenhão, Brasil x Bolívia. Minha estreia por lá. Bonito o estádio, organizado, moderno… e dentro de campo, um espetáculo digno de pelada de fim de churrasco. Vaia pra Dunga de todo lado — curioso como o tempo transforma vilão em herói dependendo da maré, né?

E chegamos ao hoje. Nada de Europa, nada de joguinho pra enganar a tarde. Nem aquele Concaquem lá, que sempre aparece para preencher grade. Só Bolívia x Brasil, em La Paz.

E aí começa o festival.

Não o futebol — o discurso.

Altitude pra cá, altitude pra lá… parece até que vão escalar o Everest de chuteira. Quem vai cair primeiro? Quem vai passar mal? Quem vai pedir oxigênio? Olha, sinceramente… tem jogador que joga em gramado ruim, com salário atrasado, pressão de torcida e dirigente nas costas — e o problema vai ser o ar rarefeito?

Se depender de Diego Souza e Adriano Imperador, esquece. Esses dois jogam até em Marte, com gravidade zero e sem juiz, se tiver vaga em Copa do Mundo na história.

Sem jogo que preste, sobra o quê? A vitrola. E aí entra Wilson Simonal, lembrando que “o Brasil está vazio na tarde de domingo”… embora o barulho na televisão diga exatamente o contrário.

Porque, no fim das contas, futebol mesmo hoje é coadjuvante. O protagonista é o falatório. Sempre ele. Denunciam, reclamam, batem na tecla da “injustiça”, da “covardia”, da “altitude criminosa”… e ninguém resolve nada. Fica tudo no gogó.

E lá do outro lado, Diego Maradona — que já mudou de ideia mais vezes que comentarista muda de opinião em mesa-redonda — agora ensaia uma nova versão.

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