Madrid 2005
Madrid, vinho e um violão brasileiro
A noite começava a cair em Madrid. O frio, daqueles que chega devagar e vai tomando conta das ruas, já dava sinais de que seria companhia até o fim da madrugada.
Eu estava nas proximidades do Royal Palace of Madrid, sentado em um pequeno bar, saboreando um vinho espanhol e observando o movimento. Gente indo, gente vindo, turistas correndo atrás das últimas fotos do dia, moradores voltando para casa... e eu apenas vivendo o momento.
Foi então que, em meio aos sons da noite madrilenha, um violão roubou minha atenção.
Mais do que isso: era uma melodia brasileira.
Cheguei de mansinho, sem querer interromper. Fiquei alguns instantes apenas ouvindo, até criar coragem para fazer o pedido, em bom português:
— Garota de Ipanema.
O rapaz interrompeu o dedilhado, me olhou de cima a baixo, esboçou um sorriso e respondeu:
— Se cantar, eu toco.
E eu cantei.
Cantei Garota de Ipanema. Cantei mais uma. E, entre acordes, risos e aquela coincidência improvável que só as viagens sabem proporcionar, dois desconhecidos terminaram a noite como velhos conhecidos.
Saímos dali e fomos descobrir outro canto de Madrid para brindar a amizade que nasceu em português, embalada por um violão, numa noite fria do Velho Mundo.
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