Declamando Fernando no Sena
Navegando ao entardecer pelo Rio Sena, no tradicional Bateaux Mouches, fui presenteado por uma cena que parecia saída de um filme: o surgir de uma lua cheia iluminando as águas de Rio Sena.
Naquele instante, minha memória tratou de viajar ainda mais longe. Vieram à mente versos do poeta Fernando Nascimento, as páginas dos antigos livros de geografia e, principalmente, minha grande mesa de inspiração: minha mãe, Lili, apaixonada pelo Sena e pela Torre Eiffel, embora os tivesse conhecido apenas pelos livros e pelos filmes.
Sem pensar duas vezes, declamei em voz alta, com a emoção de quem fala para si e para o mundo:
Turistas de várias nacionalidades voltaram seus olhares para mim. Alguns riram, talvez sem entender uma única palavra. Outros aplaudiram espontaneamente. Houve ainda aqueles que falavam português e, logo depois, vieram apertar minha mão para dizer, no mínimo, que havia sido bonito — e que, naquele momento, também se lembraram dos rios e das histórias de suas próprias cidades.
Viajar é isso, minha gente. É fazer o que se ama, sem se preocupar com os olhares ao redor, e permitir que a imaginação, a memória e o desejo de ser feliz simplesmente sigam seu curso.
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