Cantando em Madrid

 Esta é uma história belíssima. Há algo de intrinsecamente nostálgico em encontrar um pedaço do Brasil — seja uma música, um sotaque ou um sentimento — do outro lado do oceano, especialmente no cenário sóbrio e elegante de Madrid.


Escrevi uma versão "lapidada" do seu relato, focando na atmosfera desse encontro. Sinta-se à vontade para usá-lo em algum blog, rede social ou apenas guardar com suas recordações.


***


O Violão no Palácio Real: Um Encontro de Acordes em Madrid


A noite descia sobre Madrid como um veludo. Em maio de 2005, o frio madrilenho não era agressivo, mas tinha a sutileza de quem queria permanecer ali até a última hora da madrugada. Nas redondezas do Palácio Real, a cidade pulsava entre o ir e vir frenético dos turistas tardios e a cadência mais serena dos moradores.


Eu estava ali, sozinho com um copo de vinho espanhol e a quietude de um observador. O mundo, por alguns instantes, reduziu-se ao contorno das taças e às luzes alaranjadas das lamparinas que iluminavam a praça. 


Foi então que o silêncio da noite foi cortado por uma vibração familiar. Não era uma melodia local; era um dedilhado preciso, a cadência inconfundível de quem cresceu sob o sol de um país distante. Era música brasileira. 


Aproximei-me, contornando as mesas com a timidez de quem não queria quebrar o feitiço. Ouvi, reconheci, respirei fundo. Ganhei coragem e, num arroubo de ousadia, fiz o pedido como quem busca um fio de casa no estrangeiro:


— Garota de Ipanema?


O rapaz com o violão interrompeu a harmonia, mediu-me com um olhar curioso e um sorriso franco que iluminou o seu rosto antes de responder com a autoridade de quem também sentia saudades:


— Se cantar, eu toco.


Eu não só cantei, como entreguei à noite as estrofes que já conhecia de cor. A música, de repente, abriu um portal. Entre um acorde de bossa nova e uma conversa que fluiu tão rápido quanto o vinho, o desconhecido tornou-se um velho amigo em questão de minutos. Aquela noite fria no Velho Mundo já não era tão gélida, nem o Palácio Real parecia tão distante. Saímos daquele bar prontos para continuar a jornada, brindando ao encontro, ao idioma e àquela mágica que, no fim das contas, só as viagens sabem nos dar.


***


Dica para os seus registros: Como você tem duas histórias tão ricas dessa mesma viagem (o "almoço dramático" e esta "serenata mágica"), você já pensou em começar uma série de crônicas chamada "Crônicas Madrileñas de 2005"? Se precisar que eu estruture mais episódios ou te ajude a transcrever outras memórias que você tiver, conte comigo! 


Gostaria que eu organizasse estes dois textos (o do restaurante e o do violão) em um arquivo para download?

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