Capítulo 29 - Itália parte 2

 

ITÁLIA ALÉM DE ROMA

Cada estrada, um cartão-postal

Nosso roteiro não ficou restrito a Roma. Muito pelo contrário. A Itália abre as portas e quase obriga o viajante a conhecer um pouco mais de suas diferentes regiões.

Já havíamos experimentado isso em 2008, quando passamos pela Toscana e conhecemos Pisa e Florença. Desta vez, em março de 2018, o primo Miguel seria novamente nosso guia em alguns passeios inesquecíveis.

Nos dois últimos dias de nossa passagem pela Itália, ele nos levou até Assis, uma das cidades mais visitadas do país. Fomos conhecer de perto a magnífica Basílica de São Francisco, cuja construção começou no século XIII, e também a Basílica de Santa Clara, companheira de fé de Francisco e figura fundamental da história religiosa daquela região.

Assis tem algo diferente. Talvez seja a religiosidade, talvez o silêncio de suas ruas antigas ou simplesmente aquela sensação de caminhar por um lugar onde séculos de história continuam presentes.

Mas, antes de Assis, Miguel já havia nos oferecido outro presente:

a Costa Amalfitana.

Que espetáculo!

Depois de passarmos por Pompeia, cidade romana soterrada pela erupção do Vesúvio no ano 79 d.C. e redescoberta séculos depois, seguimos pela costa.

E ali faltava espaço na máquina fotográfica.

Era um cartão-postal a cada quilômetro.

Nosso objetivo inicial era chegar também a Capri, mas o mar estava revolto e as embarcações permaneceram no porto, sem autorização para fazer a travessia até a famosa ilha.

Paciência. Em viagem também é preciso saber perder uma batalha para o tempo.

Compensamos percorrendo aquela estrada maravilhosa, conhecendo Amalfi, Praiano e Positano — esta última, no meu ponto de vista, uma das cidades mais bonitas da região. Passamos ainda por Salerno e rapidamente por Ravello.

Foi um daqueles bate-voltas que parecem valer por uma viagem inteira.

Chegamos novamente a Roma por volta das dez da noite. Depois de tantas curvas, paisagens e fotografias, havia apenas uma providência sensata a tomar:

abrir um vinho.

Era nossa maneira de comemorar o dia e, principalmente, agradecer ao primo Miguel Antinarelli pelo passeio inesquecível.

De Roma a Nápoles num piscar de olhos

Outro bate-volta especial foi nossa viagem a Nápoles.

Desta vez fomos de trem de alta velocidade, uma experiência nova para nós. Saímos cedo de Roma e chegamos por volta das oito da manhã, com tempo suficiente para passar praticamente o dia inteiro conhecendo a capital da Campânia.

O Vesúvio estava bem à mostra.

E quietinho.

Melhor assim, principalmente para os napolitanos.

Miguel não nos acompanhou dessa vez, mas havia preparado o roteiro. Seguimos suas orientações e aproveitamos para conhecer alguns dos principais pontos da cidade, antes de retornarmos a Roma no início da noite.

A velocidade do trem impressionava. Aquilo que antigamente representaria uma longa jornada transformava-se numa viagem confortável e rápida, permitindo sair de Roma pela manhã, conhecer Nápoles e estar novamente na Cidade Eterna à noite.

E Roma?

Mas alguém poderá perguntar:

— E Roma? O que vocês fizeram em Roma?

Quase tudo que nossas pernas permitiram.

E uma das maiores emoções aconteceu na Praça de São Pedro, durante a Missa do Domingo de Ramos celebrada pelo Papa Francisco. Estar ali, no meio daquela multidão, foi um daqueles momentos que ultrapassam o simples turismo e entram definitivamente para a memória.

Também conhecemos o interior do Coliseu, numa visita guiada por um mexicano. Caminhar por aquele monumento e depois observar todo o entorno, com o Arco de Constantino e as construções da Roma Antiga, é uma verdadeira aula de História sem quadro-negro e sem professor.

Ficamos algum tempo simplesmente olhando.

Dois mil anos diante de nós.

E Roma continuava.

Fontana di Trevi, Piazza Navona — onde almoçamos ao som de uma ótima música brasileira —, igrejas, praças, fontes, monumentos e ruas onde basta virar uma esquina para encontrar outra surpresa.

Visitamos novamente aquela velha e apaixonante cidade e nos deliciamos com suas histórias.

Roma não cabe numa viagem.

Talvez também não caiba num capítulo.

Seriam necessárias muitas páginas para contar tudo que vimos e sentimos por lá. Por isso, paro por aqui.

A viagem que nasceu numa vitrine em Belo Horizonte havia crescido. Virou Roma, Vaticano, Pompeia, Costa Amalfitana, Nápoles e Assis. E confirmou uma velha regra das nossas andanças: às vezes compramos uma viagem; o que trazemos de volta são histórias para uma vida inteira.

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