Capítulo 27 - Uruguai 2016
Dos seis dias programados para o Uruguai, dois foram reservados para o que eu chamo de respiro da viagem: os bate e volta. O primeiro foi Colônia del Sacramento.
Para quem conhece Paraty, no Sul Fluminense, fica fácil explicar Colônia. É só fechar os olhos. Ao chegar e abrir abruptamente, você jura que está na Costa Verde. As mesmas pedras nas ruas, as mesmas janelas baixas, o mesmo cais que parece guardar segredos.
E guarda. Foi por ali, por aquele Rio da Prata, que parte do nosso ouro, vindo de Minas Gerais, desembarcava em Paraty e seguia para a Europa — de forma legal ou ilegal, dependendo de quem o embarcava e de quem contava a história.
Colônia é linda como Paraty. Tem as mesmas histórias atravessadas. E tudo que vimos por lá foi de encher os olhos. Rendou belas fotos e um almoço que entrou para a lista dos melhores da nossa vida de viajantes: uma cantina italiana escondida, com uma massa perfeita, música brasileira de altíssimo nível ao fundo e um atendimento grau dez. Sacramento nos abraçou.
Mais um dia inteiro vagando por Montevidéu e, na véspera da despedida da capital uruguaia, veio a segunda aventura: conhecer Punta del Este em apenas um dia. Para isso, era preciso sair muito cedo do hotel, na van da operadora local, e encarar a ótima estrada que leva ao balneário mais famoso da América do Sul. São apenas 130 quilômetros separando as duas cidades, mas com paradas que valem cada quilômetro.
E assim foi.
Meia hora depois, primeira parada: Maldonado. Um dos únicos pontos altos de um país tão plano. Fotos incríveis lá de cima, uma igrejinha linda no alto do morro e um vilarejo com cassino e muita movimentação. O tempo foi curto, suficiente apenas para uma boa caminhada e para espantar o sono que teimava depois de uma noite longa no bistrô de Montevidéu.
Alguns quilômetros adiante, outra parada, ainda mais bonita. Já com a visão aberta do Atlântico, chegamos a Punta Ballena. Ali conhecemos a Casa Pueblo — aquela construção branca, esculpida como se tivesse sido modelada pelas ondas, que foi moradia e ateliê e hoje é museu. A casa do grande Carlos Páez Vilaró. Fica a pouco mais de dez quilômetros do nosso destino final.
E então, Punta del Este.
Chegamos e encontramos o mar lindo. O céu se abria com a mesma cor do oceano e Punta estava de braços abertos. Não houve visita a cassino. Preferimos andar pela orla, apreciando o luxo silencioso das construções, entrar num belo restaurante para um almoço de boa qualidade, e cumprir o ritual: ver de perto Los Dedos, ou La Mano, fincada na areia da Playa Brava. Olhamos com entusiasmo. Apenas isso. Contemplamos. Depois, passamos um longo tempo no Porto, de onde se tem a vista mais bonita de toda a orla.
Voltamos logo após o pôr do sol — mais um daqueles que o mundo insiste em classificar como "o mais belo do mundo". E é lindo, de verdade. Mas confesso: é tal qual tantos outros que já vimos por esse Brasil afora. Nosso pôr do sol não deve nada a ninguém.
No dia seguinte, aeroporto. Regresso pela Gol ao nosso Brasil, já com a cabeça no próximo ano. Ano que, decidimos, será dedicado apenas ao Brasil. Um grande roteiro nacional nos espera: Curitiba, João Pessoa, Foz do Iguaçu. Porque no fim, a gente vai longe para ter certeza de que voltar é sempre a melhor parte da viagem.
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